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Bom para o solo, para o bolso e até para a alma

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Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a produção total de amendoim na safra 2017/18 ficou em 515,9 mil toneladas, alta de 9,6% em relação a 2016/17. No mesmo período, a área cultivada aumentou em 7,4% - saindo de 129,6 mil hectares para 139,3 mil hectares - e a produtividade média em 2,3% - 3.704 kg/ha contra 3.606 kg/ha.

Esmagadora parte dos amendoinzais nacionais fica localizada dentro do Estado de São Paulo, detentor de 90,5% da produção nacional. Os principais polos de cultivo são as regiões da Alta Mogiana (Ribeirão Preto, Dumont, Jaboticabal e Sertãozinho) e Alta Paulista (Tupã e Marília). Em sua maioria, são produtores canavieiros que cultivam o amendoim em rotação com a cana-de-açúcar. Estimativas apontam que 90% do cultivo dessa leguminosa esteja nas mãos dos canavicultores

Mas, afinal, o que torna o amendoim tão atrativo para os produtores de cana?
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Quem explica é o gerente de originação da Coplana, Valdeci Malta da Silva. Correção e incremento da fertilidade do solo, através da fixação biológica de nitrogênio; redução da infestação das principais pragas e doenças da cana; utilização de herbicidas de diferentes mecanismos de ação em relação aos utilizados na cana visando o controle de plantas daninhas e a redução da população de nematoides, já que o amendoim não é hospedeiro do mesmo, são apenas algumas das vantagens. “Após a rotação, o ciclo da cana será mais produtivo, devido a todos os benefícios agronômicos citados.”

O amendoim não é bom apenas para o solo, é para ao bolso também. Além da receita extra no final do mês com a venda do amendoim, o produtor ainda amortizará os custos do plantio da cana naquela área.

"Os benefícios agronômicos, mesmo importantes, acabam sendo intangíveis para alguns produtores, que não enxergam o retorno no bolso diretamente. Já a renda líquida gerada - em torno R$ 1.652,00/ha, podendo chegar a R$ 1.980,00/ha - acaba sendo o fator decisivo na hora de optar pela rotação”

O presidente da Coplana, José Antônio Rossato Junior, observa que o amendoim tem se blindado da crise nacional, se mostrando “uma cultura que tem aguentado o desaforo da economia e propiciado alta remuneração”.

 

Ele destaca que os produtores de cana já não veem o amendoim apenas como um cultivo intercalar, mas como uma cultura independente, buscando o máximo de produtividade possível. “Já é um negócio a parte. Alcança números tão bons de produção que fazem dele uma cultura tão rentável quando a própria cana-de-açúcar.”

Prova são os constantes investimentos dos agricultores – não mais apenas produtores canavieiros - em tecnologias para aumento da produtividade e qualidade da cultura. “Eles estão se tecnificando mais a cada safra. Como exemplo, parte deles já realiza a semeadura com tratores e máquinas próprios dotados da mais alta tecnologia, como piloto automático e dosadores de sementes.”

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